A ARQUITETURA NA TEORIA ESTÉTICA HEGELIANA

(Hegel 1831. Fonte: commons.wikimedia)

Ao se falar em Hegel e suas teorias, tem-se que compreender primeiramente sua dialética, os estados de espirito. Segundo Hegel, tudo que é real é racional e tudo que é racional é real; essa máxima ilustra bem seu conceito de desdobramento entre o externo e o interno. A ideia (interioridade) ao atingir o autoconhecimento se exterioriza desdobrando-se em natureza, ou seja, a natureza compreende a ela mesma e passa a aparecer na forma de fenômeno, através da tríade sequencial (e espiral) da tese-antítese-síntese.

Hegel, também de forma triplica esquematizou os estados de espíritos aplicáveis ao homem são eles: o estado de espirito subjetivo, no qual o homem não tem um alcance maior que a do próprio individuo em suas causas, particularidade e proporção; o estado de espirito objetivo, no qual o individuo busca ser e fazer parte de algo maior e mais racional- o estado, pondo-se acima de questões individuais, comportando-se como parte de um “corpo” maior sob leis e organização coletivas e; o estado absoluto, estado síntese onde se manifesta o espirito. No estado absoluto, é onde se faz conhecer a ideia de fato, também formada outra tríade: arte-religião-filosofia. Na arte (momento de interesse desta dissertação) ocorre o momento privilegiado da cognição onde ha o reconhecimento do belo. No momento da filosofia (o mais “alto” dos três) é onde o espirito compreende a ideia.

Para Hegel o belo natural é inferior ao belo artístico, pois a concepção do belo natural é pura exterioridade- um belo não originário da consciência em si mesmo de belo; já o belo artístico é concebido pela necessidade do homem objetivar seu espirito, sendo assim, a arte serve para conhecer o belo, é o belo metafisico que desabrocha na exterioridade, e por isso é um belo que é além da beleza natural.

No campo das artes a arquitetura mostra-se a primeira- e mais primitiva; pois, nas palavras de Hegel “a primeira tarefa da arte consiste em configurar o objetivo em si mesmo, o solo da natureza, o ambiente exterior do espirito, e assim imaginar o que é destituído de interioridade um significado e uma Forma, os quais permanecem exteriores ao mesmo, já que eles não são a Forma e o significado imanentes ao objeto mesmo”. Em outras palavras, a arquitetura é a primeira arte, pois, ela faz conhecer no que era pura exterioridade da natureza uma interioridade, agora a partir do espirito do homem, e não mais do objeto em si mesmo.


(Catedral de Colônia, Alemanha. Fonte: commons.wikimedia e commons.wikimedia )

É notável na arquitetura gótica a concretização da massa em estado de ascensão, as linhas e ate as curvas (arcos) projetam uma perceptiva para o alto.


(coro da Catedral de Colônia, Alemnha. Fonte: commons.wikimedia)

Na arquitetura gótica a luz também desempenha um papel simbólico, através dos vitrais, a luz exterior ganha novas cores (diferentes da natural) e ilumina cenas do evangelho e demais símbolos afins.  

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Porem o surgimento de uma arquitetura nem sempre esta vinculada as belas artes, pois, geralmente as edificações são meios subordinados a uma ou mais finalidades exteriores. Desta maneira está dada uma necessidade não artística. Com tudo, entre a conformidade e fins arquitetônicos, não é raro que sobressaia a beleza artística, mesmo que não seja exatamente para esse fim plástico. Tendo deste modo uma divisão em semelhante arquitetura, onde por um lado configurasse a finalidade essencial e do outro ela fornece o meio do ambiente.

Tomando o âmago de sua origem, a arquitetura corresponde a Forma de arte simbólica, pois ela é capaz de dar significado a si mesma através da exterioridade do ambiente. Sendo uma arquitetura pura a que esta desgarrada de necessidades funcionais e que se mostra de forma autônoma por si mesma mais próxima da escultura, porém diferindo desta (escultura), pois, “não produz configuração cujo significado é espiritual em si mesmo e tem em si mesma o principio da aparição completamente adequada ao interior, mas obras que podem manifestar o significado em sua forma exterior apenas simbolicamente”. A arquitetura configura para o espirito já existente por si mesmo (o espirito do homem), a natureza exterior já existente como uma envoltura configurada pelo espirito por meio da arte para a beleza. Estando o significado no homem e suas necessidades e não na envoltura que não traz em si mesma o seu significado. Pensamento que confronta, como por exemplo A arquitetura na metafisica do belo, de Arthur Schopenhauer



(Catedral da Sagrada Família, Barcelona, Espanha. Fonte: commons.wikimedia e  commons.wikimedia)

Na Catedral da Sagrada Família (já usando aço nas construções) a busca pelo simbólico compõe a edificação quase por completo. (estilo art'nouveau)


Considerando a dicotomia entre finalidade e meio na arquitetura, a “boa” arquitetura é a que permite ressaltar separadamente essa diferença, sendo o interior desta separação autônomo por si mesmo e unificador de ambos os momentos. Guiando-se pelos conceitos acima citados Hegel dividiu a arquitetura na seguinte ordem de “essencialidade” da estética arquitetônica: Em primeiro lugar a arquitetura simbólica ou autônoma; em segundo lugar a clássica, que perde sua autonomia ao configurar para si o espiritual individual; em terceiro lugar a romântica, não tem grande preocupação com a funcionalidade, de modo autônomo por si mesmo.


Referências: 

HEGEL, George W. F. Curso de estética: o belo na arte. São Paulo: Nova Cultura (Os Pensadores), 1996. 


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