A ARQUITETURA NA METAFISICA DO BELO, DE ARTHUR SCHOPENHAUER

(Arhur Shopenhauer 1852. Fonte: commons.wikimedia)

Na estética da arquitetura schopenhaueriana, a quebra de braço entre rigidez e gravidade protagoniza a discussão geral de sua fundamentação. Sendo a matéria o sustentáculo em que a Ideia se manifesta através do fenômeno; dando-se o conhecimento da Ideia; cada qualidade da matéria, como: gravidade, coesão, resistência fluidez, reação contra a luz etc... são necessárias para a existência da matéria, sendo objetividade da vontade. Do ponto de partida da arquitetura mostrar tais ideias é sua finalidade estética.


 (Anfiteatro Flaviano, Coliseu, Roma. Fonte: commons.wikimedia

Note-se através da estrutura, do ritmo entre os espaços e os vazios e das proporções a distribuição das cargas (peso), e seu "caminho" até assentar-se no solo. Pedra sobre pedra (ou tijolo sobre tijolo).


A arquitetura primeiramente é serva da necessidade, sendo assim utilitária, instigada pela Vontade. Passando para o plano da estética quando a Ideia libertasse da vontade, servindo neste momento o conhecimento. Os fins estéticos arquitetônicos, portanto, estão voltados a tornar a conhecer as qualidades primordiais da matéria acima citados; tornando paralela a ênfase a manifestação da luz, pois através desta manifestação, há viabilização de tornasse a conhecer pelo homem. Por tanto, está incumbida a arquitetura de exteriorizar a luta entre rigidez e gravidade, evidenciada nas distribuições e transferências de cargas (peso, gravidade) através dos elementos componentes da edificação, os quais demonstram da forma mais evidente possível ter rigidez suficiente para suportar as cargas superiores e não serem esmagados contra o solo e ao mesmo tempo perceptível na distribuição, configuração, forma, densidade e a atuação da gravidade. Mantendo um equilíbrio entre a manifestação da sustentação e do peso correspondente. Sendo uma edificação bela, a que transmite a funcionalidade das parte, e não a finalidade subjetiva do homem, finalidade subjetiva essa que não deve ficar imediatamente evidente. Na funcionalidade das partes, todas elas devem cumprir proporcionalmente seu emprego no sistema de forças da edificação, sendo cada parte indispensável e útil para o equilíbrio estático da mesma.



(Templo da  Concórdia, Agrigento, Ítalia. Fonte: commons.wikimedia) 

Para Schopenhauer, a ordenação grega deve ser determinada com precisão, pois o uso de uma delas será indicado pela relação particular entre a altura, o peso e a dimensão do edifício. Considerando também duplamente belos os edifícios expostos a luz do Sol... “pois o arquiteto, (...), permite ao espectador olhar mediante seus próprios olhos e lhe coloca meramente o objeto, pelo qual lhe facilita a impressão da Ideia, na medida em que traz o objeto individual e efetivo à expressão mais nítida e perfeita de sua essência.” Schopenhauer, diferencia a arquitetura clássica da gótica, pois na gótica a gravidade e rigidez não é seu tema, pois a rigidez está desproporcionalmente superior a gravidade em sua configuração estética, observadas em suas formas semelhantes ao reino vegetal, pontiagudas; tratando se de completa subjetividade, sem beleza objetiva. Pontos esses referentes a arquitetura gótica que, em certa medida, contrapõem-se ao discurso esteticístico de Hegel (ver em: A Arquitetura na Teoria estética de Hegeliana ).

(Tempietto, San Pietro, Roma, Ítalia. Fonte: commons.wikimedia)  

No Tempiertto alem das questões estéticas clássicas, aplica-se também conceitos estéticos que pairavam na intelectualidade da época, como o antropocentrismo, sendo este exemplo arquitetônico carregado de simbolismo e proporções baseadas na medida humana. 
   

Por fim, considera a bela hidráulica, a de melhor estética neste embate entra rigidez e gravidade; lembrando que quanto mais estético menos finalidade útil tem a arquitetura. Na hidráulica, a Ideia de rigidez passa para a fluidez, ganhado mobilidade e também a transparência.

 

(Chafariz Jardim Botânico RJ. Fonte: commons.wikimedia)


Referências: 

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo com vontade e representação. São Paulo: UNESP, 2005

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